13. Diagnóstico: sintomas e causas
As tabelas deste capítulo vão do sintoma ao que olhar, à causa mais provável e à ação.
Use log em regime, com o motor quente e os canais da malha visíveis (veja Lendo o log: os canais do VE). As pressões de MAP estão em bar relativo, como na tela.
#Por onde começar
Comece pelo canal Malha VE - Estado: ele diz por que a malha não está corrigindo ou não está aprendendo.

No log o estado aparece como número; a tela Aprendizado VE (LTFT), na página Ao vivo, mostra o motivo em texto. A lista completa está em Lendo o log: os canais do VE.
O canal mostra um motivo por vez, o de maior prioridade. Antes de concluir que um motivo não aconteceu, confira se outro não o escondeu: o estado 14 esconde o 15, e o 15 esconde o 16.
Depois do estado, veja onde o erro aparece: no mapa todo, num tipo de pulso, numa região ou numa condição (frio, partida, pisada).

#Malha parada ou no limite
| Sintoma | O que olhar | Causa provável | Ação |
|---|---|---|---|
| Malha nunca corrige | Malha VE - Estado em 0 o log inteiro; Malha VE - STFT em zero; Malha VE - Fator da VE em 1,000 | Malha fechada de combustível (VE) desligada, como vem de fábrica | Ligue a função. |
| Correção encostada no limite; estado 15, STFT saturado (VE provavelmente errada) | Malha VE - STFT parada no limite (±10 % em vácuo; +5/−3 % de 1 bar para cima); o MAP diz qual coluna de Limites da correção rápida (STFT) por MAP vale | VE da região fora mais que o limite. Mesmo sinal no mapa todo: bico, pressão ou combustível | Não suba limite nem ganho. Meça o necessário pelo log, corrija a VE ou a origem e zere o aprendizado. |
| Estado 14, Autoridade total atingida | Malha VE - Fator da VE em 0,75 ou 1,25 (com o padrão) | Correção e aprendizado somados no teto de Autoridade total (STFT + LTFT), 25 % de fábrica | A base está errada: mesma ação do estado 15. |
| Malha VE - Atraso estimado parado em 2500 ms com o motor girando | Estado diferente de 0; Vazão total VE acima de zero | Constante de transporte do escape herdada em 1,5. Com estado 0 o log todo, é só a malha desligada | Ponha 0,02 s·l/min (padrão): pela conta da VCU, o atraso estimado fica em cerca de 0,6 a 1,3 s na lenta, conforme o consumo, e perto de 0,2 s em cruzeiro. |
Enquanto a correção está no limite, o aprendizado também fica no limite. Com Aplicar o LTFT aprendido desligado, um erro de 20 % numa região aparece como cerca de 10 % em vácuo no Diagnóstico, e o Commit na VE propõe a metade disso (Percentual a aplicar em 50 %).
#Aprendizado que não acontece
| Sintoma | O que olhar | Causa provável | Ação |
|---|---|---|---|
| Malha VE - LTFT ativo sempre em zero, ou fora da lista de canais | A chave Aplicar o LTFT aprendido; os estados do log | Chave desligada (padrão): o canal é sempre zero. Ligada: VE já certa, aprendizado desligado, só pressão positiva ou bloqueio constante | Veja a tabela aprendida em Aprendizado VE (LTFT) > Ao vivo, com a VCU conectada. |
| Estado 16, Sensor do modelo VE em failsafe | MAP, Temperatura do ar - admissão e Pressão de combustível: zerados, parados ou fora de faixa | Opção de sensor ligada sem o sensor ou com leitura inválida; Usar sensor MAP desligado; ar fora de −30 a 120 °C | Sem sensor de ar ou de pressão: desligue a opção e ponha no failsafe o valor real. Usar sensor MAP fica ligado; a única exceção são as borboletas individuais em motor aspirado sem tomada que represente os dutos (veja O que torna o VE avançado, e os limites). Com o sensor: conserte a leitura antes. |
| Estado 17, Pressão de combustível fora da faixa | Pressão de combustível diferencial contra Pressão nominal dos injetores da bancada A | Pressão de trabalho a mais de 10 % (tolerância de fábrica) da pressão nominal declarada do bico | Declare o bico na pressão de trabalho, com a vazão reescalada. |
| Estado 18, Temperatura do ar fora da faixa | Temperatura do ar - admissão | Ar fora de 15 a 45 °C com os padrões; a trava vale mesmo com o sensor desligado no modelo | A correção continua. Para aprender, rode com o ar na faixa e confira Faixa de temperatura do ar para aprender. |
| Estado 10, Alvo em movimento, repetido na lenta | O alvo de lambda onde a lenta passeia | Alvo em rampa na região da lenta | Deixe o alvo plano na região da lenta. |
| Estado 21, Corrigindo (aguardando célula estabilizar), em regime, sem aprender | Malha VE - STFT abaixo de 1,5 % | Estado normal: a célula já está certa e não há o que aprender | Nenhuma. A célula não precisa de Commit na VE. |
As opções de sensor (Usar sensor MAP, Usar sensor de temperatura do ar e Usar sensor de pressão de combustível, ligadas de fábrica) e como declarar o bico na pressão de trabalho estão em Antes de começar: motor, combustível, injetores e sensores. Não use Tolerância da pressão diferencial para aprender para isso.
No caso sem sensor de pressão com a chave ligada, a malha não cobre o erro em pressão positiva (os números estão em Antes de começar: motor, combustível, injetores e sensores): o limite de fábrica ali é +5/−3 %.
Com a temperatura do ar desligada e o failsafe de fábrica (25 °C): com ar a 60 °C o motor recebe cerca de 12 % a mais de combustível; com ar a 0 °C, cerca de 8 % a menos.
#Mistura fora numa região
| Sintoma | O que olhar | Causa provável | Ação |
|---|---|---|---|
| Erro igual no mapa todo | Erro global (vazão / pressão / stoich) no Diagnóstico; no log, Malha VE - STFT com o mesmo sinal em todas as regiões | Vazão ou pressão nominal do bico; failsafe de pressão; combustível ou etanol; temperatura do ar desligada | Corrija a origem, não a VE (seção Erro global: corrija a origem, adiante). |
| Erro que cresce quando o pulso encurta | Deadtime (correlação com 1/PW) no Diagnóstico; no log, o erro contra o tempo útil e a fração de tempo morto | Tabela de tempo morto errada; pulso abaixo da faixa linear do bico; failsafe de pressão errado | Corrija o tempo morto antes da VE; linearização para pulso muito curto; não corrija VE em pulso curto. |
| Rico ou pobre só na lenta | Só em lenta (aditivo: vazamento / reversão / sonda) no Diagnóstico; sondas de cada banco; estado 5 ou 10 na lenta | Entrada falsa de ar, reversão no escape ou posição da sonda; RPM mínimo acima da lenta; alvo em rampa | Procure a causa física; deixe RPM mínimo abaixo da lenta; não leve o erro da lenta para a VE. |
| Erro que acompanha a temperatura do ar | Temperatura de carga (correlação com IAT) no Diagnóstico; Temperatura do ar - admissão; Usar sensor de temperatura do ar | Sensor desligado (vale o failsafe, 25 °C de fábrica) ou lendo valor plausível, mas errado | Conserte a leitura e só então habilite; nunca habilite com valor impossível. |
| Rico em pressão positiva e pobre na lenta, sem sensor de pressão de combustível | Pressão de combustível sem leitura; Pressão de combustível diferencial caindo quando o MAP sobe; veja se o estado vai a 16 | Usar sensor de pressão de combustível ligado (padrão) sem sensor: a conta trata o failsafe como pressão de linha e desconta o MAP | Desligue a opção e ponha no failsafe a pressão do regulador acima do coletor, ou instale o sensor. |
| Pobre em pressão positiva e rico na lenta, linha sem referência ao coletor | Pressão de combustível diferencial constante o log inteiro; Malha VE - STFT em +5 % em pressão positiva | Opção desligada: a conta supõe diferença de pressão constante, mas a real cai quando o MAP sobe | Instale o sensor e ligue a opção, ou use regulador referenciado ao coletor. |
| Pobre no começo da pisada, depois de cruzeiro rico | Malha VE - STFT negativa congelada no transiente (estado 9) | Carga leve rica: a malha leva a correção negativa para a pisada | Corrija a carga leve; use Somente enriquecer acima da pressão definida ou limite negativo pequeno nas colunas de carga. |
#Frio, partida e transientes
| Sintoma | O que olhar | Causa provável | Ação |
|---|---|---|---|
| Rico com o motor frio | Temperatura do motor abaixo de 70 °C; estado 3, 4 ou 0; VE - Enriquecimento total acima de zero | Erro que acompanha a temperatura: compensação por temperatura alta. Degrau quando a pós-partida acaba: pós-partida alta | Acerte antes a VE quente; corte aos poucos a célula de temperatura culpada; julgue com 3 partidas frias ou mais. |
| Partida difícil | Tempo de injeção A, B e C durante o giro; Temperatura do motor; pedal | Tabela de partida errada; pedal a 70 % ou mais (padrão), que zera o pulso da Tabela de injeção de partida; bancada que roda o motor sem injeção na partida | Confira modo e chave de partida por bancada; acerte Partida do motor; dê partida sem pisar. |
| Partida rica e aquecimento sem efeito | Temperatura do motor sem leitura válida | Sensor em falha: a partida usa a linha de 0 °C, e o aquecimento e a pós-partida não atuam | Conserte o sensor antes de mexer nas tabelas. |
| Sonda em 0,000 na partida a frio | Sonda Malha Fechada / VE em 0,000; Erro de lambda (sonda vs alvo) em zero; estado 1 ou 2 | Sonda aquecendo ou sem leitura válida, normal nos primeiros segundos. Se persiste: falha ou sonda fora da seleção | Não leia como pobre: descarte o trecho. Ligue o log antes da chave. |
| Injeção rápida disparando com o pé parado | TPS mexendo sem o pedal; Injeção rápida acima de zero; estado 8 repetido na lenta | Borboleta comandada por outro módulo; compensação de pedal ativa; gatilho baixo | Outro módulo: suba Variação mínima de TPS/MAP para injeção rápida (ali a fonte Pedal copia o TPS). Compensação de pedal: fonte Pedal. Tiro pequeno: ajuste Injeção rápida mínima que congela a correção. |
No frio, confira quanto do enriquecimento chegou à queima: (sonda ÷ alvo) × (1 + enriquecimento ÷ 100).
A leitura é um indício, não uma medida. Perto de 1,00, o extra apareceu inteiro na sonda: sinal de que está sobrando na tabela. Acima de 1,00, parte dele provavelmente ficou na parede, e o motor frio precisava dele. Abaixo de 1,00, suspeite de base rica: VE ou bico.
Com a borboleta eletrônica comandada pela própria VCU, o canal TPS é a demanda comandada, contada a partir da posição de lenta: fica em zero na lenta, mesmo com a borboleta se mexendo. Se ele mexe na lenta sem o pedal, confira se a borboleta é comandada por outro módulo ou se há compensação de pedal ativa.
#Tempo morto ou vazamento
As duas assinaturas aparecem na lenta, onde o pulso é curto, e por isso se confundem.
Tempo morto errado gera um erro que depende do tamanho do pulso: o desvio do tempo morto dividido pelo tempo útil.
Ar entrando por fora deve gerar, pelo mesmo raciocínio, um erro que depende de quanto ar o motor aspira por segundo: a vazão do vazamento dividida pela vazão aspirada.
Para separar, compare a lenta com células da mesma linha de pressão em rotação mais alta, por exemplo 2500 a 3500 rpm no mesmo vácuo.
Ali o pulso por ciclo é quase o mesmo da lenta, mas o motor aspira cerca de 3 a 4 vezes mais ar por segundo (com a lenta perto de 850 rpm).
O teste vem dessas duas contas e serve de orientação: se o erro continua igual, aponta para tempo morto; se cai na proporção da rotação, para ar entrando por fora, escape ou sonda.

A página Diagnóstico separa as duas assinaturas. O erro da lenta, porém, não é descontado do que o Aplicar na VE leva para a tabela: corrija a causa antes de aplicar.
#Erro global: corrija a origem
O Diagnóstico acusa erro global quando a média passa de 3 %, para mais ou para menos, com dispersão abaixo de 2 %. Ele só analisa com pelo menos 4 células que atingem a Confiança mínima (hits).
No modo VE a vazão declarada entra direto na conta: um bico declarado 40 % maior que o real recebe quase 30 % menos combustível, e o lambda fica cerca de 40 % acima do alvo.
Erro global de +X % quer dizer que faltou combustível. Se a origem for a vazão, a declarada está alta: divida a vazão por (1 + X ÷ 100).
Exemplo: erro global de +5 % com bico declarado de 80 lb/h. Vazão corrigida: 80 ÷ 1,05 = 76,2 lb/h.
Se a correção ficou no limite durante a coleta, o X está cortado no limite. Meça o erro real pelo log.