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12. Método de acerto passo a passo

Versão 1.1Software: FuelTech Vision 3.0Firmware: 00.03.00.54Produtos: FT700, FT470, VisionFT2026-10-14

Este capítulo reúne a ordem do acerto, as regras práticas que evitam os erros mais comuns e o jeito de corrigir a tabela de VE sem perder o controle do que mudou. O funcionamento de cada função está no capítulo dela; aqui fica o método.

#A ordem do acerto

A VE é a última peça e a única que é do motor. Tudo o que vem antes é dado que você informa; tudo o que vem depois é correção em cima dela.

Um dado errado entra no cálculo de todo o combustível e, se for corrigido na VE, se esconde lá dentro. Por isso a ordem importa.

A ordem do acerto: primeiro os dados, depois a VE em regime, por fim o que corrige em cima dela.
A ordem do acerto: primeiro os dados, depois a VE em regime, por fim o que corrige em cima dela.
EtapaO que fazerPor que vem antes da próxima
BaseAnote a versão do software e do firmware. Use como base o mapa que estava na VCU durante o log (Abrir mapa do log).O arquivo em disco pode ser diferente do que rodou; corrigir sobre a base errada desfaz acerto.
Motor e combustívelCilindrada, número de cilindros e combustível; com flex, o sensor de etanol lendo certo.Entram como fator em todo o combustível.
InjetorVazão e pressão nominal de catálogo ou medidas, tempo morto por tensão e pressão, linearização.Vazão errada dá erro igual no mapa inteiro; tempo morto errado dá erro que cresce no pulso curto.
Pressão de combustívelSensor lendo certo; sem sensor, a opção do sensor desligada e o failsafe igual à pressão diferencial real.A conta divide pela raiz da pressão diferencial: queda de pressão que a VCU não vê vira erro de VE.
Temperatura do arSensor lendo valor físico; só então habilitado no modelo.Desligado, vale o failsafe (25 °C de fábrica); habilitado com leitura errada, o erro vai para tudo.
PartidaModo de partida de cada bancada e tabela de partida.Em Tabela de injeção de partida a VE não participa do arranque.
Alvo conservadorAlvo de lambda rico na carga antes de rodar.A conta divide pelo alvo: a VE medida não muda com ele, e o alvo rico põe mais combustível na carga enquanto a VE é acertada.
VE em regimeCruzeiro por célula e passadas a fundo; medir o necessário por célula, corrigir amortecido, conferir a forma.É a etapa que é do motor.
Alvo finalAlvo de lambda ajustado ao objetivo (potência, temperatura).Mudar o alvo depois não exige mexer na VE.
FrioAquecimento e pós-partida.Abaixo de 70 °C (padrão) a malha não corrige; o frio se julga com a VE quente já certa.
TransientesInjeção rápida do VE.A célula onde a pisada termina só mede VE em regime firme.
Aprendizado e acabamentoAtraso conferido, aprendizado, Diagnóstico e Aplicar na VE; só no fim Aplicar o LTFT aprendido.Correção no limite acusa base errada; o aprendizado não sabe que a VE mudou.

A malha pode ficar ligada desde a primeira rodagem, com Aplicar o LTFT aprendido desligado. Ela mede e corrige só dentro dos limites dela e não substitui o acerto da VE; leia o necessário com a correção dela incluída (seção Como corrigir, adiante).

Para o primeiro mapa convertido, siga o roteiro da primeira rodagem em Do mapa por tempo de injeção para o VE.

#Regras práticas

Trate as regras abaixo como prática recomendada: cada uma traz o porquê e o erro que evita.

#Ler o dado certo

#O que não é VE

#Como mexer na tabela

#Ordem e controle

#Réguas de campo

Os números desta seção são pontos de partida, não especificação. Cada um vem com o porquê, para você ajustar ao seu motor.

#Tempo morto acima de 35 % do pulso

Pulso curto é território do bico, não da VE.

O tempo morto é somado em milissegundos no fim de cada pulso. Se ele está errado, o erro chega ao combustível multiplicado por r ÷ (1 − r).

r          = Deadtime dos injetores A ÷ Tempo de injeção A
tempo útil = Tempo de injeção A − Deadtime dos injetores A
erro de mistura = erro do tempo morto × r ÷ (1 − r)

r é a fração do pulso que é tempo morto. Os dois canais estão no log; a conta cabe num canal calculado.

Tempo morto no pulso (r)Multiplicador r ÷ (1 − r)10 % de erro no tempo morto vira
10 %0,111,1 % de mistura
20 %0,252,5 % de mistura
30 %0,434,3 % de mistura
35 %0,545,4 % de mistura
50 %1,0010 % de mistura
60 %1,5015 % de mistura

Como ponto de partida: onde o tempo morto passa de 35 % do pulso, não corrija a VE pela sonda.

O 35 % é escolha de tolerância: aceita cerca de 5 % de erro de mistura para cada 10 % de erro no tempo morto. Quanto menos você confia na tabela de tempo morto do seu bico, mais baixo deve ser esse limite.

Meça a fração por célula, no log. Não deduza pelo MAP: em carga leve uma linha inteira pode passar do limite.

Em Multiponto, em motor a pistão, cada pulso leva metade do combustível e o tempo morto inteiro: a zona de pulso curto fica maior que em Sequencial.

#Pulso útil curto

O bico também deixa de ser linear em pulso muito curto, e o quanto depende do bico. Trate como curto o pulso útil abaixo de 1 a 2 ms, conforme o bico.

Pelos dados de bico que o FuelTech Vision traz, a não linearidade some acima de 2 ms. A 0,75 ms ela fica perto de 10 % num bico de 80 lb/h de alta impedância e passa de 30 % num bico de 520 lb/h ou maior, de baixa impedância.

Um corte fixo em 0,75 ms, portanto, só serve de triagem para bico pequeno.

Com bico de alta impedância, o limite de 35 % de tempo morto já deixa de fora praticamente toda a faixa não linear. Com bico grande de baixa impedância, não: preencha a tabela Linearização dos injetores da bancada A com os dados de pulso curto do fabricante antes de acertar a lenta e a carga leve: o assistente de mapa base a deixa zerada.

#VE acima de cerca de 115 %

Teste de sanidade: se a VE que a sonda pede no ponto de melhor enchimento passa de cerca de 115 %, confira a vazão declarada do bico, a pressão de combustível e o sensor de temperatura do ar antes de aceitar a tabela.

Não é um teto. A tabela aceita até 300 %, e o próprio assistente de mapa base nunca gera VE acima de 115 %.

A VE do modelo absorve o erro dos dados. Vazão declarada alta aparece como VE alta; sensor de ar 20 °C mais quente que uma carga a 40 °C pede 6,4 % a mais de VE.

Com álcool, a evaporação pode esfriar a carga abaixo da leitura do sensor, e um valor um pouco acima de 115 % pode ser real.

#Duas rodadas

Mapa muito fora leva mais de uma rodada. Com os padrões, o Aplicar na VE move no máximo metade do que a correção rápida alcança: cerca de 5 % por rodada em vácuo. Um erro maior que o limite da malha não chega a ser aprendido por inteiro.

Por isso, erro grande se corrige pelo log, à mão, em duas rodadas ou mais. O Aplicar na VE é o acabamento.

#Como corrigir

#Medir o necessário

O necessário de cada célula sai do log, num trecho de regime:

VE necessária = VE efetiva × (sonda ÷ alvo) × (1 + enriquecimento ÷ 100)

VE efetiva: canal VE - Eficiência efetiva %, que já inclui a correção da malha.

Sonda: Sonda Malha Fechada / VE, lida depois do atraso. Alvo: VE - Alvo de sonda (O2), em lambda. Enriquecimento: VE - Enriquecimento total, em %.

Use só trechos em regime, fora da zona de pulso curto, fora da cauda da injeção rápida e com o enriquecimento perto de zero.

Como montar essa conta como canal no visualizador e tirar a média de um trecho está em Lendo o log: os canais do VE.

#Mistura entregue e correção da tabela

São dois números diferentes, e podem ter sinais opostos:

ENTREGA = sonda ÷ alvo                   risco ao motor agora
BASE    = sonda ÷ alvo × fator da malha  quanto mudar a tabela

Fator da malha: canal Malha VE - Fator da VE (1,000 é sem correção).

Exemplo, com os limites da correção ampliados além do padrão: sonda 0,78, alvo 0,71, malha tirando 30 % (fator 0,70). ENTREGA = 1,099: o motor está 9,9 % pobre. BASE = 0,769: a tabela está 23,1 % rica.

#Pelo aprendizado ou à mão

O aprendizado mede o erro por célula na própria VCU. Com ela conectada, o Commit na VE leva uma fração dele para a tabela: 50 % de fábrica em Percentual a aplicar, só nas células com confiança e sem extrapolar. O passo a passo está em Autoaprendizado: VE learning (LTFT).

À mão, pelo log, ficam o erro maior que o limite da malha, as células de transição e a pressão positiva.

Com os padrões, o aprendizado não aprende de 1,0 bar para cima e a malha corrige ali só +5/−3 %: plena carga com turbo se acerta pelo log.

A sequência prática é esta:

  1. Erro grande primeiro, à mão, em uma ou mais rodadas, até a correção sair do limite.
  2. Antes de aplicar qualquer coisa, rode Diagnóstico > Analisar e corrija primeiro o que não é VE.
  3. Rode em regime nas faixas de uso e leve o que sobrou para a VE com Aplicar na VE.
  4. Revise a Prévia e a forma da tabela, salve como versão nova, envie e rode um log antes da próxima mudança.

#Uma variável por versão

Cada versão do mapa muda uma coisa: duas mudanças juntas impedem saber qual agiu. Grave-a num arquivo novo, com a versão e o que mudou no nome, e use o mesmo nome dentro do mapa.

Escreva antes do log o que vai considerar aceito e o que conferir na primeira partida: nada está testado até o log do carro voltar.

No log seguinte, confira com Abrir mapa do log que o mapa que rodou é o que você entregou.

O aprendizado não sabe que a VE mudou. Ao mudar VE, eixos, bico ou pressão, leve antes o útil para a VE com Aplicar na VE, envie o mapa e só então use Zerar LTFT. A ordem completa e o porquê estão em Autoaprendizado: VE learning (LTFT).

#Limites do método